NERVO/18

“Vem, Vulva antiquíssima e idêntica
Vulva Rainha nascida destronada morta
Vulva igual por dentro ao silêncio (…)
Funde na regra tua todas as águas que vejo
Todos os NERVOS com que és escura por dentro (…)”
(Mário Cesariny, in O Virgem Negra)
NERVO/17

“(…)Um lacaio invertido e pressuroso.
O sem NERVOS nem Ânsia – o papa-açorda,
(Seu coração talvez movido a corda…)”
(Mário de Sá-Carneiro, in Indícios de Oiro)
NERVO/16

“Na virgindade de que são feitas as gerações
a par das locomotivas quero
quebrar meus NERVOS na ânsia
que me faz correr vinagre nas feridas (…) ”
(Fernando Lemos, poema Insónia)
NERVO/15

“Lume dos NERVOS riscados pelo fósforo do medo
lume dos dentes cerrados
pela goma de um segredo. (…)”
(José Carlos Ary dos Santos, In poema A Faca)
NERVO/14

“(…) a tua face abrindo-se como um barco
amei-te tempestade de ossos
e de NERVOS
contra ti
contra ti.”
(António Ramos Rosa, in Árvore Aberta)
NERVO/13

“Retira-me, Noite, com tua sombria
suavidade, este frio do corpo
Este pássaro perplexo e doido, e
dá-me o teu pão para os NERVOS “
(Fernando Madureira, in Ao Ouvido de um Moribundo)
NERVO/12

Há um vinho do Reno a corroer-me os NERVOS.
E este cheiro de incêndio igual ao que há no campo
(…) a tua nudez como um archote branco.”
(David Mourão-Ferreira, in Do Tempo ao Coração)
NERVO/11

“(…) temos um corpo, mas é um corpo inerte,
feito mais de coisas como esperança e desejo
do que de carne, sangue, NERVOS,
e desabitado de línguas e de astros.”
(Manuel António Pina, In Os Livros)
NERVO/10

“(…)E em mim, dentro de mim, vibram dispersos.
Meus NERVOS de oiro, esplêndidos, que são.
Toda a Arte suprema dos meus versos!”
(Florbela Espanca, in Charneca em Flor)
NERVO/09

“As células vão ardendo nos seus mapas de NERVOS (…)
Devagar, devagar, a cabeça amolece.
Devagar no colo do sono.”
(Armando Silva Carvalho, in Sol a Sol)