Nervo – Colectivo de Poesia

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“(…) Eia! eia! eia! Eia electricidade,
NERVOS doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios,
simpatia metálica do Inconsciente!”

(Álvaro de Campos, in Ode Triunfal)

2026

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“Levo o dia a fumar, a beber coisas, Drogas americanas que entontecem, E eu já tão bêbedo sem nada! Dessem melhor cérebro aos meus NERVOS como rosas. ”

Álvaro de Campos
in "Opiário"

2025

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“Bebi esse fogo nos meus NERVOS – vodka de milénios, alongamento dos naufrágios para o negrume irreal das costas, o pudor que se inclinava para o areal como um século negro.”

Rui Diniz
in "Ossuário"

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“Rasguemos dos lábios a ansiedade vírgula enorme nos NERVOS das gargalhadas na tensão dos espíritos.”

Maria Teresa Horta,
in "Espelho Inicial"

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“São filhos do meu tédio e duma dor qualquer Meus sonhos de NERVOS horrivelmente histéricos Como as larvas ruins dos corpos cadavéricos Ou como a inspiração de Charles Baudelaire.”

José Duro, in “Fel”

2024

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“O lápis – esta é a escrita do lápis que escreve a tortura lapidar os ossos na neve os NERVOS lapidares.”

António Ramos Rosa,
In O Incêndio dos Aspectos

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“(…) mulher circular permeável ao vento virgem abortada com pinheiros nos olhos fêmea com NERVOS e dunas iguais a explosões.”

Fiama Hasse Pais Brandão,
in O Texto de João Zorro

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“(…) Ouço. Longe, febrilmente, os faróis de África. Avança pela erva dentro Esta ternura; manadas de NERVOS e ossos”

Fernando Grade, in “O Vinho dos Mortos”

2023

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“(…) exegetas menos hábeis que séculos de exílio e meditação anunciavam, argumentos torcidos pelos NERVOS.”

José Alberto Oliveira,
in Tentativa e Erro

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“Vem, Vulva antiquíssima e idêntica Vulva Rainha nascida destronada morta Vulva igual por dentro ao silêncio (…) Funde na regra tua todas as águas que vejo Todos os NERVOS com que és escura por dentro (…)”

Mário Cesariny, in Ó Virgem Negra

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“(…)Um lacaio invertido e pressuroso. O sem NERVOS nem Ânsia – o papa-açorda, (Seu coração talvez movido a corda…)”

Mário de Sá-Carneiro,
in Indícios de Oiro

2022

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“Na virgindade de que são feitas as gerações a par das locomotivas quero quebrar meus NERVOS na ânsia que me faz correr vinagre nas feridas (…) ”

Fernando Lemos, poema Insónia

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“Lume dos NERVOS riscados pelo fósforo do medo lume dos dentes cerrados pela goma de um segredo. (…)”

José Carlos Ary dos Santos, In poema A Faca

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“(…) a tua face abrindo-se como um barco amei-te tempestade de ossos e de NERVOS contra ti contra ti.”

António Ramos Rosa, in Árvore Aberta

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“Retira-me, Noite, com tua sombria suavidade, este frio do corpo Este pássaro perplexo e doido, e dá-me o teu pão para os NERVOS “

Fernando Madureira, in Ao Ouvido de um Moribundo

2021

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Há um vinho do Reno a corroer-me os NERVOS. E este cheiro de incêndio igual ao que há no campo (…) a tua nudez como um archote branco.”

David Mourão-Ferreira,
in Do Tempo ao Coração

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“(…) temos um corpo, mas é um corpo inerte, feito mais de coisas como esperança e desejo do que de carne, sangue, NERVOS, e desabitado de línguas e de astros.”

Manuel António Pina,
In Os Livros

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“(…)E em mim, dentro de mim, vibram dispersos. Meus NERVOS de oiro, esplêndidos, que são. Toda a Arte suprema dos meus versos!”

Florbela Espanca,
in Charneca em Flor

2020

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“As células vão ardendo nos seus mapas de NERVOS (…) Devagar, devagar, a cabeça amolece. Devagar no colo do sono.”

Armando Silva Carvalho,
in Sol a Sol

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“Faz-me o teu amor ressoar como um órgão, E os meus segredos revelam-se à carícia da tua mão. Todo o meu ser extenuado se assemelha a uma harpa. Suspiro a cada NERVO que tocas.”

Jalal-Al-Din Rumi, in Odes à Embriaguez Divina

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“(…) cantando dentro dos NERVOS os estoiros das avalanches em qualquer lugar ansioso friíssimo há uma aurora estreita onde podemos passar”

Ernesto Sampaio, in A Única Real Tradição Viva, Antologia da Poesia Surrealista Portuguesa

2019

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“(…) quando os NERVOS dos seus adversários na luta ficavam tensos como metal, sentia-os ele debaixo dos seus dedos como cordas tocando profundas melodias.”

Rainer Maria Rilke,
in O Livro das Imagens

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“(…)um côro para acalmar a impotência e a ausência! Um coral de copos, de melodias nocturnas com efeito, os NERVOS vão já pôr-se à caça. “

Jean-Arthur Rimbaud,
in Jeunesse

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“(…)Eia! eia! eia! Eia electricidade, NERVOS doentes da Matéria! Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!”

Álvaro de Campos,
in Ode Triunfal

2018

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“(…)trabalho na massa tremenda dos poemas. Que me olham de tão perto que eu ardo. Um dia hei-de ficar todo límpido, ou calcinado NERVO a NERVO.”

Helberto Helder, in Flash

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“Para quem faz do sonho a vida, o primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, é o sentir as coisas mínimas extraordinária e desmedidamente.”

Fernando Pessoa,
in “O Livro do Desassossego”

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“Sê paciente; espera que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que a mereça.”

Eugénio de Andrade